Contrariando as minhas convicções mais ou menos de esquerda, no qual não se conversa nunca sobre batatas fritas, chuveiros elétricos ou tênis da moda, eis que hoje, especialmente, dedicarei uma crônica inteirinha a um assunto com claro espírito burguês e capitalista: as bolachas de morango.
Não é segredo para ninguém que eu as odeio. E não é nenhum preconceito bobo: eu já provei diversas marcas, testei por tortuosos anos, tentei aceitar as suas diferenças em relação aos outros sabores; mas, sinto muito, não dá, senhorita Morango! Não consigo gostar de você de jeito algum.
O sabor é altamente enjoativo, causador de diversos problemas estomacais e psicológicos em pessoas menos treinadas, como eu. Confesso que nunca consegui passar da terceira ou quarta bolacha de morango. Sempre rejeito a quinta, e logo vou ao banheiro desabafar as mágoas com o vaso. Eca.
A bolacha de morango, meu camarada, é um claro exemplo do golpe da burguesia-publicitária-consumista, no qual somos influenciados a comprar produtos que não gostamos verdadeiramente: refrigerantes, sapatos de salto, livros de vampiros adolescentes e CDs da Britney Spears são alguns outros exemplos dessa influência macabra dos publicitários em nosso cotidiano.
Nós, pobres brasileiros, aceitamos assim, de bom grado, toda essa campanha a favor do famigerado morango, rejeitando toda a tradição camponesa do chocolate, que trabalhou duro, incansavelmente, e, numa terrível batalha de classes com a baunilha, conquistou o seu espaço. A bolacha de morango se aproveitou da fraqueza da sociedade, entrou em nossos lares e seduziu as criancinhas indefesas.
Tudo bem, tudo bem, eu sei que num país livre e democrático as pessoas têm o direito de escolher o sabor das coisas que comem, assim como podem votar para vereador, mas aqui em casa, não! Eu não tenho direito algum sobre o sabor da bolacha. Minha mãe é um ditador da burguesia-publicitária-consumista. É ela quem escolhe, e é sempre morango. Assim não dá, companheiro. Como dizia o camarada Cazuza, “enquanto houver burguesia, não vai haver chocolate”.
Não é segredo para ninguém que eu as odeio. E não é nenhum preconceito bobo: eu já provei diversas marcas, testei por tortuosos anos, tentei aceitar as suas diferenças em relação aos outros sabores; mas, sinto muito, não dá, senhorita Morango! Não consigo gostar de você de jeito algum.
O sabor é altamente enjoativo, causador de diversos problemas estomacais e psicológicos em pessoas menos treinadas, como eu. Confesso que nunca consegui passar da terceira ou quarta bolacha de morango. Sempre rejeito a quinta, e logo vou ao banheiro desabafar as mágoas com o vaso. Eca.
A bolacha de morango, meu camarada, é um claro exemplo do golpe da burguesia-publicitária-consumista, no qual somos influenciados a comprar produtos que não gostamos verdadeiramente: refrigerantes, sapatos de salto, livros de vampiros adolescentes e CDs da Britney Spears são alguns outros exemplos dessa influência macabra dos publicitários em nosso cotidiano.
Nós, pobres brasileiros, aceitamos assim, de bom grado, toda essa campanha a favor do famigerado morango, rejeitando toda a tradição camponesa do chocolate, que trabalhou duro, incansavelmente, e, numa terrível batalha de classes com a baunilha, conquistou o seu espaço. A bolacha de morango se aproveitou da fraqueza da sociedade, entrou em nossos lares e seduziu as criancinhas indefesas.
Tudo bem, tudo bem, eu sei que num país livre e democrático as pessoas têm o direito de escolher o sabor das coisas que comem, assim como podem votar para vereador, mas aqui em casa, não! Eu não tenho direito algum sobre o sabor da bolacha. Minha mãe é um ditador da burguesia-publicitária-consumista. É ela quem escolhe, e é sempre morango. Assim não dá, companheiro. Como dizia o camarada Cazuza, “enquanto houver burguesia, não vai haver chocolate”.
