Eu tive certeza que o mundo está perdido quando a loira na minha frente pronunciou a seguinte frase catastrófica ao celular: “Você já conversou com a Jessiquinha?”
Sim, nós, pessoas medianas, equilibradas e com um senso de inteligência para apelidos, sabemos que nenhum ser humano que se preze pode ser chamado de “Jessiquinha”. Fico imaginando como será vida dela. Talvez seja operadora de telemarketing de produtos da Telefônica.
– Jessiquinha, boa tarde – ela me diz.
– Me desculpe, não falo com pessoas com este apelido – eu retruco.
Ou talvez a Jessiquinha venda filtros de água Europa em supermercados. Ela deve passar a tarde fazendo palavras cruzadas em virtude da falta de clientes. De repente, eu chego e vejo escrito em seu crachá: “Jessiquinha – Vendedora”.
– Ah, prefiro beber água suja.
O mais provável é que ela seja jornalista, sei lá. Trabalha no jornal Agora como repórter de curiosidades. Faz reportagens sobre anões e jacarés na periferia. A matéria vem assinada: “Jessiquinha Fernandes”.
Não tenho problemas com Jéssica, mas o apelido derivado não combina. A letra ‘Q’ me faz lembrar biscoitos infantis: “Saboreie a nova Jeffiquinho de morango”. Sinceramente, não dá.
Saudade do tempo em que os apelidos eram normais: Rosa, Pança, Jesus, Priguicinha, Cidão, Broca, Feliz, Estranho, Bunda, entre outros.
Exposição Em Palavras
Há 7 meses
